Diz-se que perder um filho é a dor que não tem nome. No português, não somos "viúvos" ou "órfãos" de um filho. É uma perda que subverte a ordem natural da vida e quebra a promessa implícita de que os filhos sobreviverão aos pais.

A quebra do futuro Quando um pai ou uma mãe perde um filho, eles perdem o futuro. Perdem-se as formaturas que não acontecerão, os netos que não virão, a continuidade da própria linhagem. É um luto que exige uma reconstrução espiritual e existencial profunda, pois o "porquê" da vida parece desaparecer.

Sobrevivendo ao insuportável O luto parental é um processo longo e delicado, onde a culpa muitas vezes tenta se instalar ("eu deveria ter feito algo", "eu deveria ter ido no lugar dele"). Acolher essa dor exige paciência infinita. O objetivo não é "superar", pois um filho nunca é superado, mas sim aprender a carregar essa saudade de um jeito que permita, um dia, voltar a respirar sem que o peito doa tanto.