Falar sobre morte com crianças costuma gerar medo nos adultos. Na tentativa de proteger, muitos evitam o assunto ou usam explicações vagas como “foi viajar” ou “virou uma estrelinha”. Mas o que parece proteção pode, na verdade, gerar mais confusão.

A criança percebe a ausência. Percebe a mudança no ambiente. Percebe o sofrimento dos adultos. Quando não há uma explicação clara, ela cria as próprias e muitas vezes essas explicações vêm carregadas de culpa ou fantasia.

Crianças precisam de verdade, mas uma verdade que seja possível de ser compreendida. Dizer que a pessoa morreu, explicar que isso significa que ela não vai voltar, e acolher as perguntas que surgirem é saudável enquanto que evitar o tema, traz muitos prejuízos.

Outro ponto importante é entender que o luto infantil não acontece da mesma forma que o adulto.

A criança pode chorar em um momento e, minutos depois, querer brincar. Isso não significa que ela “não entendeu” ou que “não está sofrendo”. Significa que ela processa a dor aos poucos.

Mais do que ter as palavras perfeitas, o que a criança precisa é de um adulto disponível. Disponível para explicar, para acolher e, principalmente, para sustentar o que é difícil.